“... registro tudo, para assim me registrar. Pinto como se fosse um serviçal de cartório. Torno-me escrivão toda vez que me proponho a criar. Associo coisas simples tentando balbuciar novos símbolos. Talvez, o figurativismo que uso, seja uma arma para facilitar o entendimento de meus hieróglifos. Minha pintura funciona como um diário. Um grito de naufrago, um registro de bordo, que carrego enquanto viajo, aqui, pela vida. São anotações, documentos de toda a ordem e espécie. Aproprio-me de um fato, fragmento-oe reestruturo-o, onde o absurdo torna-se cotidiano. Meu encontro com a contemporaneidade está no Realismo-Mágico, movimento pós-moderno, de grande força na cultura latino-americana, diferente do Surrealismo e do Hiperealismo, pois seu disfarce é a própria realidade. Invento inertes vídeo-clips. Minha pintura é um imenso e fragmentado muro babilônico. ”